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Greve das professoras é também pelas famílias e pelas crianças com neurodivergência

Prefeitura de Curitiba falha no apoio à inclusão; faltam de cinco a 11 profissionais por escola

Greve das professoras é também pelas famílias e pelas crianças com neurodivergência
Assembleia que decidiu pela greve na educação. Foto: Sismmac

Juliana Souza sabe o que é ter uma filha neurodivergente. E sabe o que é chegar na escola e não poder contar com um profissional de apoio que ajude no aprendizado e nas tarefas do dia a dia. Por isso, nem precisou ser convencida quando chegou a hora de apoiar as professoras de rede municipal de Curitiba a lutar pela contratação de profissionais especializados que façam essa função.

Moradora do Novo Mundo, na região Sul de Curitiba, Juliana não só apoia a greve marcada pelo sindicato que representa as professoras, o SISMMAC, para o dia 8 de abril. Pelo contrário, decidiu, junto com pais de diversos outros bairros, apoiar o movimento conversando com os pais da sua região e explicando os motivos da paralisação.

"A gente fala com o pessoal para explicar os motivos da greve, para que todo mundo entenda que é preciso mudar a situação", diz Juliana, que hoje já tem a filha de 16 anos em um colégio estadual, mas que continua incomodada com o ritmo lento da Prefeitura de Curitiba para ampliar o número de profissionais de inclusão no município.

"Agora, depois de muitos pais protocolarem ações, é que contrataram uma estagiária para a escola aqui do bairro", conta ela. Mesmo que um estagiário fosse o ideal para a função (e não é), o acréscimo de uma única pessoa nem de perto resolve o problema de uma série de professoras e de famílias que precisavam do apoio profissional.

O aumento de profissionais de inclusão é um dos principais pontos da greve da educação em Curitiba, afirma a presidente do SISMMAC, Diana Abreu. "Faltam de cinco a 11 profissionais por escola municipal", afirma a presidente, com base nos levantamentos feitos pelo sindicato. E, claro, por mais que o estágio seja uma fase importante na carreira dos futuros profissionais, o necessário aqui seria a presença de gente formada.

"Temos salas de aula com 33 alunos no Ciclo I em que existem até 9 crianças com laudos indicando neurodivergência", afirma Diana. A professora, sem contar com apoios, tem de lidar sozinha com as demandas de todas as crianças, sendo que muitas delas precisariam de uma atenção especial e de uma dedicação mais intensa. "Essas crianças pela lei têm direito, e a Prefeitura não garante."

Outra questão, afirma a presidente, é que as crianças que permanecem nos dois turnos têm apoio em apenas um deles. "Tudo isso é muito grave e leva os profissionais a uma exaustão já nos primeiros dias do ano letivo", conta Diana.

No Ciclo II, que equivalem ao quarto e quinto anos, as salas de aula pela regulamentação do município podem ter até 38 crianças, e igualmente pode haver um grande número de crianças que precisam de inclusão. "Essas crianças precisariam ter sala de recurso multifuncional, sala com recursos de aprendizagem, e sem ter esse atendimento estão prejudicadas no seu direito à educação."

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