Nesta segunda-feira (01), o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) criou um comitê gestor especial para coordenar as ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno El Niño em Curitiba. Este fenômeno, resultado das mudanças climáticas, costuma alterar os padrões de chuva e temperatura e na região sul, causa chuvas mais intensas e aumentar o risco de enchentes e deslizamentos.
O comitê ainda não foi formalizado, mas deve ocorrer por meio de decreto. Em um texto institucional do site da prefeitura, a administração afirmou que “mantém ações contínuas de cuidado com o meio ambiente e preservação de áreas verdes”.
Todavia, a mesma administração cortou mais de uma centena de árvores na Arthur Bernardes, o que provocou protestos de moradores e ambientalistas. Entre as árvores cortadas, estavam duas Araucárias. Pimentel justificou os cortes afirmando que eram necessários para obras de mobilidade.
A presença de árvores tem relação indireta no controle de impactos provocados pelo El Niño. Todavia, um estudo publicado na Revista Brasileira de Gestão Ambiental aponta que as árvores são fundamentais para a redução da temperatura, amenizam as chamadas “ilhas de calor” e também ajudam a conter inundações e enchentes, e outros benefícios.
“As árvores através dos processos ecossistêmicos melhoram a qualidade do ar por meio da absorção do gás carbônico e liberação de oxigênio, além de propiciar sombras, proteção térmica e acústica e modifica o clima na mudança do balanço de energia, por meio da absorção do calor em função de seus processos vitais transformando a energia luminosa em energia química”, diz o texto.

Curitiba, por meio do programa Meio Milhão de Árvores, plantou até agora 221 mil árvores, porém, a conta da prefeitura leva em consideração mudas distribuídas aos moradores pela administração, o que não garante que o plantio tenha sido efetuado, sem contar o tempo de crescimento da planta.
Durante a criação do comitê, foram lembrados os dois novos parques-esponja que devem reforçar a capacidade de escoamento das águas da chuva. No Campo Comprido, a Bacia de Detenção do Rio Mossunguê tem capacidade para armazenar 29 mil m³ de água. Já no Parque Santa Cândida, as obras de duas bacias de contenção no Rio Atuba, com capacidade total de 150 mil m³, estão em andamento.
A previsão é que as estruturas estejam operando na primavera, funcionando como reservatórios temporários para reduzir alagamentos.
