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Mais de 2,5 milhões de paranaenses trabalham mais de 40h semanais

Paraná é o 4º estado do país com maior contingente de trabalhadores nessa jornada, embora seja o 6º em população

Indústria está entre os setores com maior jornada. (Foto: Ari Dias/AEN.)
Indústria está entre os setores com maior jornada. (Foto: Ari Dias/AEN.)
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Mais de 2,54 milhões de paranaenses trabalham em jornadas superiores a 40 horas semanais, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) compilados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (DIEESE-PR). Eles representam 66% dos trabalhadores formais no estado (3,84 milhões), incluindo celetistas e estatutários.

Os setores que concentram o maior número de trabalhadores com escalas superiores a 40 horas são serviços, comércio e indústria de transformação. O setor de serviços também se destaca na outra ponta, junto à administração pública, como os setores com maior número de trabalhadores em escalas de até 30h e entre 31h e 40h.

O Paraná é o quarto estado do País com o maior número de trabalhadores em jornada superior a 40 horas, atrás de São Paulo (10,8 milhões), Minas Gerais (3,8 milhões) e Rio de Janeiro (2,7 milhões).

O economista Sandro Silva, supervisor técnico do DIEESE-PR, explica que o debate sobre a redução da jornada precisa ser feito aliado à discussão do fim da escala 6x1.

“São coisas diferentes. Se acabar com a escala 6x1 e mantiver 44 horas semanais, quem trabalha seis dias por semana, durante 8 horas, terá a jornada aumentada para não trabalhar no sábado. Estão sendo discutidas as duas coisas: garantir dois dias de folga para o trabalhador e reduzir a jornada”.

Hoje (27), deve ser votado o relatório final da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil de 44h para 40h semanais. A votação foi adiada ontem (26) após pedido de vista do deputado gaúcho Mauricio Macron (PL).

Impactos positivos

Setores patronais têm apresentado projeções negativas com o possível fim da escala 6x1 e da redução da jornada, como mais gastos trabalhistas com contratações, aumento no preço final dos produtos e consequente aumento da inflação. Porém, a redução traz inúmeros benefícios já comprovados em experiências de outros países e estudos, alerta Sandro Silva.

“Vários estudos mostram, inclusive, redução de custos, com redução no número de afastamento de trabalhadores, redução de atestados, de acidentes de trabalho, de rotatividade. Tem estudos também que mostram aumento da produtividade. Então é relativo esse aumento de custo”, explica.

Ponto principal da defesa pelo fim da escala 6x1, o aumento da qualidade de vida do trabalhador também traz benefícios econômicos. “Com mais tempo livre, as pessoas vão gastar mais dinheiro com lazer, viagens, e outras coisas que impactam positivamente na economia”, avalia.

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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