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Sergio Moro e Flávio Bolsonaro fogem de perguntas sobre Vorcaro em lançamento de pré-candidatura

Em Curitiba, pré-candidatos ignoraram questionamentos sobre escândalo envolvendo o filho de Jair Bolsonaro e acusaram adversários de "terrorismo"

Sergio Moro e Flávio Bolsonaro fogem de perguntas sobre Vorcaro em lançamento de pré-candidatura
Flávio Bolsonaro e Sergio Moro em evento na noite desta sexta-feira (29). Foto: Tami Taketani / Plural
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Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não responderam perguntas sobre a ligação do filho mais de velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em evento na noite desta sexta-feira (29 de maio) em Curitiba. Flávio esteve na cidade para lançar as pré-candidaturas de Moro ao governo do Paraná e do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado.

Em entrevista coletiva improvisada após o evento, eles ignoraram questionamentos sobre a mais recente fala do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Em entrevista à Globo News na segunda-feira (25), Costa Neto disse que Flávio se encontrou com Vorcaro – depois da primeira prisão do dono do Master – para "ver se conseguia o restante do dinheiro".

Filipe Barros foi o único dos pré-candidatos que comentou o assunto. Segundo ele, Flávio fez uma negociação privada ao pedir R$ 134 milhões para Vorcaro, como mostra o áudio divulgado há duas semanas pelo site "Intercept Brasil" – o filho de Jair Bolsonaro já teria recebido R$ 91 milhões para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente.

"Era um investimento do Vorcaro. Ele colocou dinheiro no filme para ter um lucro depois. O Lula recomendou que o Banco Master não fosse vendido ao BTG", disse Filipe Barros. "Quem fez uma oferta de compra foi o grupo Fictor. Quem era o contratado pelo Grupo Fictor? Era o Lulinha (Fábio Luís da Silva, filho de Lula)”. Moro e Flávio Bolsonaro também ignoraram questionamentos sobre a prestação de contas dos R$ 91 milhões.

Sergio Moro durante o lançamento de sua pré-candidatura / Foto: Tami Taketani/Plural

Tático do "terrorismo"

O evento desta sexta-feira testou a nova tática eleitoral da extrema direita de acusar o presidente Lula (PT) de "colaboração com o terrorismo". Na quarta (27), Flávio Bolsonaro se reuniu com o Donald Trump em Washington e em seguida o governo norte-americano classificou as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (PV) como organizações terroristas.

O discurso adotado pela extrema direita é que "em dois dias, Flávio Bolsonaro fez mais pela segurança que o PT em 20 anos". Para Sergio Moro, "Lula ficou triste" com a inclusão das organizações criminosas na lista do terrorismo. Para Flávio Bolsonaro, Lula foi aos Estados Unidos no início do mês para "lamber as botas do Trump e fazer lobby para o PCC". Com a classificação, há possibilidade de bloqueios econômicos, sanções financeiras e até intervenções armadas no país.

STF e TSE na mira

Além dos quatro pré-candidatos, discursaram no evento o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Não faltaram ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que em 2023 cassou o mandato de deputado federal de Deltan Dallagnol.

Paulo Martins – que ficou em segundo lugar na disputa pelo Senado em 2022 e tentou cassar o mandato de Sergio Moro em 2023 – elogiou Rogério Marinho por ele ter "encampado a ideia de quebrar os sindicatos". Deltan Dallagnol disse que "Curitiba prende e Brasília solta" e prometeu votar pelo impeachment de ministros do STF se for eleito senador.

Em um possível recado para o grupo político de seu ex-aliado Ratinho Jr (PSD), Filipe Barros disse que o lançamento das pré-candidaturas reuniu "a verdadeira direita" no Paraná. O deputado afirmou que quer "ver o MST na cadeia" e que Deltan Dallagnol "foi perseguido injustamente" pelo TSE por ter seu mandato de deputado cassado – quando o ex-procurador teve o registro de sua candidatura cassada com base na Lei da Ficha Limpa, que ele mesmo ajudou a aprovar.

Moro, que foi juiz federal, também atacou a Justiça Eleitoral. Disse que Deltan teve o "mandato roubado" pelo TSE, desprezando a Lei da Ficha Limpa que ele defendeu quando era juiz. O senador afirmou ainda que o Paraná tem os piores índices de segurança pública do Sul do Brasil e prometeu fazer do estado "uma terra livre da corrupção" – mesmo sem ter denunciado um único caso de corrupção no estado desde que assumiu seu mandato no Senado, em 2023.

O senador confirmou que convidou o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, para ser o vice em sua chapa.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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